O projeto “Cabras Sapadoras” já é uma realidade na freguesia de Campelo e pretende ajudar a realizar ações de gestão de combustível com recurso à pastorícia, contribuindo para uma melhor resiliência e sustentabilidade dos espaços florestais e também para a prevenção de fogos. A medida é da Comissão de Compartes dos Baldios de Alge e Lugares Anexos, que tem um conjunto de ideias muito interessantes para “devolver a floresta à floresta”.
A “manutenção e reabilitação de ecossistemas, a biodiversidade, uma floresta heterogénea com as espécies nativas como o carvalho, castanheiro, bétula, sobreiro e medronho” são objetivos da Comissão de Compartes, que procura combater a desertificação através da exploração e dinamização do baldio e das aldeias que a integram.
Para Bruno Braz, presidente da direção da Comissão, o projeto da pastoreio surge com a “necessidade da limpeza e manutenção das folhas” das aldeias de Alge e lugares limítrofes. “Infelizmente, o número reduzido de habitantes e a escassa prática da agricultura levou ao abandono das terras agrícolas”, refere aquele dirigente, dizendo que não se pretende fazer o pastoreio de forma intensiva, mas sim “um pastoreio de manutenção e diversificado”. Para isso, para além das cabras, a Comissão vai utilizar a curto prazo burros, cavalos e vacas maronesas.
“A curto/médio prazo é nosso objetivo a produção de leite e queijo, assim como de mel”, sublinha Bruno Braz, adiantando que a integração do gado está a ser feita “de forma progressiva”. Atualmente o número de animais não é substancial, contudo, a médio prazo “é objetivo chegar às 400 cabeças de gado para pastoreio no baldio”.
A Comissão de Compartes dos Baldios de Alge e Lugares Anexos gere um baldio com cerca de 1.400 hectares, onde não existem eucaliptos, e que permite uma vasta diversificação de projetos. Para além da produção dos produtos já enumerados, também há espaço para a reabilitação de ecossistemas e a sua certificação, a resinagem, entre outros.
Até agora o projeto tem sido implementado unicamente com capitais próprios da Comissão mas com a evolução esperada deverá atingir custos na ordem dos 200 mil euros, prevendo a reforma das instalações, criação de cercas e aquisição de maquinaria.
Bruno Braz adianta que a manutenção das terras servirá também como complemento à parte turística, que está já a ser desenvolvida, com a criação de percursos pedestres em fase de conclusão. Bruno salienta que a Comissão “terá sempre o cuidado em manter e preservar as árvores e culturas existentes, reforçando-as quer pela sua recuperação quer pela plantação.
Estes projetos vão permitir que a breve trecho sejam necessários 6 a 7 colaboradores a tempo inteiro.