Foi apresentado oficialmente no dia 10 de setembro, o projeto de construção de uma unidade industrial de plantação de canábis medicinal, investimento de um grupo canadiano que está a ser implementado no Bairro Industrial, na freguesia de Aguda, concelho de Figueiró dois Vinhos e que o nosso jornal já havia adiantado em primeira mão em fevereiro de 2020.
Inserido numa área de cerca de 50 mil metros quadrados, o projeto encontra-se em avançada fase de execução e foi junto ao estaleiro de obras que a empresa promotora o apresentou à comunicação social, na presença do presidente da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos e do executivo da junta de Freguesia de Aguda.
O promotor do investimento - orçado em cerca de 12 milhões de euros e que beneficia de um apoio superior a 3 milhões de euros do Portugal2020 – é a empresa Emeraldestiny, Lda que faz parte do grupo Hoshi Internacional.
Na ocasião, John Aird, CEO do grupo, referiu que a procura por um local no nosso país já decorria há mais de dois anos, justificando a escolha com o facto de Portugal “ter potencial para servir o maior mercado médico do mundo”, e dar resposta “à crescente procura de flores de cannabis medicinal na Europa” para além de que, até à data, o nosso país ser “a única jurisdição na Europa que foi concebida para facilitar a produção e exportação de flor de canábis medicinal para o resto da União Europeia”.
Relativamente à escolha deste local em concreto, John Aird destacou “as condições climatéricas, terra abundante e água” que fazem do concelho “um local ideal para o cultivo de canábis”, assinalando ainda o apoio da Câmara de Figueiró dos Vinhos, assim como da população local. “Fomos recebidos calorosamente”, referiu o CEO, agradecendo a hospitalidade, até porque “nunca se sabe como alguém vai reagir quando dizemos que gostaríamos de construir uma instalação de canábis medicinal no seu terreno”.
“O município de Figueiró dos Vinhos deu desde início um apoio direto ao processo de instalação no âmbito da estratégia de captação de investimento privado para o concelho”, referiu. O apoio foi em “contacto direto e personalizado, visando encontrar espaços de instalação adequados (neste caso, com as especificidades ligadas ao tipo terreno), apoio técnico nos processos de licenciamento junto das entidades competentes, aprovação de instalação na incubadora do Centro Investe para desenvolvimento da ideia de projeto e articulação com entidades regionais em questões relevantes relacionadas com a concretização do projeto de investimento”, explica.
António Durão, líder do projeto do grupo Hoshi em Portugal, que serviu de interlocutor de John Aird, explicou que as obras começaram há dois meses, e que devem estar terminadas no início de abril de 2022.
Nos cerca de 50 mil metros quadrados de terreno que a empresa adquiriu, cerca de 15 mil serão ocupados por estufas de alta tecnologia, enquanto a unidade de processamento ocuparão 5 mil, ficando o restante para áreas de cultivo ao ar livre, nesta primeira fase direcionada para plantação e o processamento.
A Hoshi refere que está no horizonte a construção de laboratórios no futuro, mas a ideia é ir avançando com cautela, até porque “as exigências do mercado é que ditarão o futuro”, e antecipa que serão criadas “várias dezenas de postos de trabalho”, quer através da “contratação de pessoas com as competências necessárias”, bem como “a formação de pessoas na comunidade local que já tenham experiência agrícola”, vincando que “haverá, naturalmente, oportunidades de emprego disponíveis numa série de áreas”.
Sobre as dificuldades em concretizar este projeto, a Hoshi Internacional destaca que a “burocracia portuguesa não criou desafios significativos”, mas a pandemia de Covid-19 “tem causado problemas e atrasos devido às restrições de viagens”.
O grupo adianta que a sua presença no país ajudará a torná-lo “como o principal Estado de canábis medicinal da União Europeia em termos de produção”, destacando que “o projeto está, também, a atrair milhões de euros em investimento estrangeiro, criando muitas oportunidades de emprego de longo prazo, e, naturalmente, gerando receitas fiscais” para Portugal.
A Hoshi International foi criada em 2018, no Canadá. “É uma empresa de canábis medicinal focada exclusivamente no mercado europeu”, esclarece, acrescentando que foi fundada por empresários com experiência na indústria da canábis que são pioneiros na indústria no Canadá, “o primeiro país do G7 [grupo dos países mais industrializados do mundo] a legalizar a canábis em todo o mundo”. Quer ser o principal fornecedor de canábis medicinal e produtos derivados para o mercado europeu emergente.
A Hoshi Internacional está já presente, na Europa, em Malta, Polónia, República Checa, Reino Unido e Alemanha, e garante que está a “explorar ativamente possibilidades noutros países”.